Ao longo deste curto ano de 2016, com os ânimos se exaltando com o
processo do Impeachment da Presidente Dilma, as multidões foram as
ruas em manifestações maiores do que aquelas vistas em 2013,
ocasionadas na época pelo aumento da tarifa do transporte público.
Apoiadores do Impeachment vestiam as cores da bandeira nacional
simbolizando nacionalismo em oposição às séries de provas de
corrupção tanto pelo partido da Presidente (PT), quanto pelo demais
partidos através da Delação Premiada de Delcídio do Amaral (que
consiste em o réu fornece detalhes a mais do que sabe e dos
envolvidos, em troca de redução da pena), no desejo superar a
turbulenta crise política e econômica que a nação tem vivido.
Muitos destes “camisas verde-amarela” são pró Impeachment,
devido a constatação através da delação premiada, dos
envolvimentos da Presidente Dilma e do ex-presidente Lula, assim como
outros membros do partido, além de diversos outros políticos,
aliado a insatisfação com o cenário econômico, falta de
segurança, além de outros problemas já conhecidos como saúde e
educação. Percebe-se nesses movimentos o ataque e a busca por
justiça no sentido de depor não somente a Presidente, como também
o corpo de membros que fizeram parte dos esquemas de corrupção.
Por outro lado, temos as manifestações dos “camisas vermelhas”,
que são em sua maioria Petistas, ou outros cidadãos que defendem o
governo de Dilma, eles atuam contra o Impeachment, considerando-o
como um golpe. Muitos afirmam que este processo não tem base
Constitucional, sua ocorrência deriva sobretudo do Vice Presidente
Michel Temer e o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha,
que manipulam o Executivo e o Legislativo para chegar ao poder e
depor a Presidente. Percebe-se que os “camisas vermelhas” buscam
a defesa do caráter da Presidente e do partido e a manutenção de
seu governo, alegando que a mídia tem influenciado a população
para prestar apoio à sua deposição, sendo assim, eles também
atacam demais políticos acusados de corrupção, pelo seu histórico
e/ou por ter seus nomes envolvidos na Lava Jato (Operação da
Polícia Federal para desmantelar o esquema da corrupção envolvendo
grandes empreiteiras e a Petrobras, por exemplo).
Tal como o título deste texto, gostaria que nos
prestassemos atenção nas cores e nas suas diferenças. Até porque, quando
observamos as fotos e as manifestações nas ruas é nítido o contraste daqueles
que as vestem (já explicado no texto). Para um observador de fora ou para um
leigo em política, pode-se perceber uma divergência Nação x Partido, baseado
nos interesses nacionais e nos interesses do Partido da Presidente,
corroborados pela definição de cada um já ressaltado.
Talvez por este motivo, muitos adeptos à gestão petista não
apoiam este movimento: por causa da cor, não querem ser generalizados. Esse
choque de cores denota tudo aquilo que muitos não entendem: a divergência
ideológica. Se os de vermelho estão certos, os verde-amarelos estão errados? O
inverso é verdadeiro? Esquerda ou Direita? Todos os vermelhos são esquerdistas?
Todos os verde-amarelos são de direita?
Sei que muitos não se atreviam a enxergar o atual cenário
político através das cores, mas são elas que nos mostram aqueles contrastes que
os mais cultos tanto debatem e maioria do povo, de forma tímida, não consegue
entender.
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