A recente ocupação das escolas públicas no Paraná, como forma de protesto à PEC 241 ocupou todo o Brasil, desde escolas do ensino médio até universidades federais.
A PEC 241 (Proposta de Emenda Constitucional) estipula o congelamento dos gastos públicos em vinte anos. Esta PEC é decorrente da necessidade do Estado de controlar suas despesas que cresceram de forma incontrolável na última década. O projeto determina um teto para os gastos públicos, delimitado pela inflação do ano anterior, ou seja, os gastos devem crescer nesta mesma proporção, no sentido contrário ao que era identificado nos outros anos. Não havia forma de controlar as despesas públicas.
A ocupação das escolas decorre da identificação que esta PEC irá frear os investimentos em diversas áreas, assim como em saúde e educação (áreas com desenvolvimento precário no Brasil), muitos julgam como um crime contra a educação, aliado a isto, os manifestantes criticam a Medida Provisória que reforma o ensino médio, alterando o "status" de algumas disciplinas de obrigatórias para optativas. Cabendo aos estudantes, a opção por escolher cursa-las ou não.
Por conta da ocupação, as aulas foram canceladas nas escolas e grande parte das universidades. Lá os estudantes protestam, dormem, estudam e também ... Brincam.
Não critico a legitimidade das manifestações, entretanto, nos últimos dias pude identificar dezenas de alunos que comportam-se como se estivessem em colônias de férias. Assistem séries, passam horas a consumir bebidas alcoólicas, dormem e dormem mais um pouco. Vejo constantemente, muitos alunos postarem fotos sorrindo, gravando vídeos para o SnapChat, brincando com os demais. Todo este clima embalado por hashtags como #OcupaMesmo ou "nome da escola+ocupada". As fotos são as mais criativas possíveis. Melhores do que as minhas quando saio com os amigos.
No âmbito da minha curiosidade, fui conversar com alguns desses estudantes. Esperava compreender não somente as suas razões e causas, mas também suas propostas de melhorias para desenvolvimento tanto da educação, como das contas públicas.
Frustrei-me ao não receber nada disso, nenhuma proposta, nenhum projeto. Inúmeras críticas, ofensas incontáveis. Nossa conversa resume-se em críticas e ofensas a diversos políticos. Adivinhem a campeã? Isso mesmo: Golpista.
Na tentativa de dialogar com alguns, em pensarmos como resolver alguns problemas nos limites das condições e do cenário brasileiro, especulamos muito, entretanto nossos passos não pareciam andar para frente. Como aqueles que exigem melhorias e mudanças, não são capazes de identifica-las? Críticos ao sistema. Somente críticos. Cidadãos não exemplares.
Sei que estes jovens com quais conversei, não representam a complexidade e os demais envolvidos nas manifestações, porém participar de um movimento político contrário a algo e não oferecer contrapartidas se mostra tão simplório e até mesmo contrário às suas razões que nos fazem perceber os motivos que não permitem a evolução: o diálogo e a compreensão.
Lewis Carroll estava certo no diálogo entre Alice e o Gato de Cheshire:
Alice perguntou para o Gato:
– Pode me dizer que caminho devo seguir?
O Gato falou:
– Isso depende muito de onde você quer chegar.
Alice disse:
– Oh, qualquer lugar serve.
E o Gato respondeu:
– Então, qualquer caminho serve.
Perdidos estamos, esperando que os outros encontrem o caminho. Viciados em nosso comodismo, mas inflando os pulmões por mudanças.
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