A crise na segurança pública do Rio de Janeiro talvez tenha sido o assunto mais noticiado essa semana nos jornais. Não é pra menos, as cenas de furtos, arrastões e assassinatos se tornaram tão comuns, que há quem não se assuste mais com elas.
O nível de insegurança encontra-se tão alto, que o Presidente Temer implementou uma Medida Provisória de intervenção no estado com auxílio das forças armadas. Tal como sua gestão, a medida foi amplamente debatida na Câmara, Senado, e claro, a sociedade. Muitos julgam que esta medida foi implementada tarde demais, haja vista que o estado do Rio, sofre há décadas com insegurança e com a proliferação do tráfico de drogas.
O que espera-se nesse cenário? Dezenas de prisões, mortes e apreensões. Claro, um combate ferrenho contra traficantes e ladrões.
Mas seria essa a real solução? Após meses de intervenção, o que vai faze-la chegar ao fim? Provavelmente alguns indicadores de redução no registro de furtos, roubos, etc. Por quanto tempo ele se manterá dessa forma? É uma pergunta que somente o tempo irá dizer, mas que temos palpites para prever. Para isso, vamos começar entendendo suas causas.
O principal fator que nos permite entender a atual crise de insegurança no Rio, é sua construção histórica, ou seja, a inter-relação de diversos elementos que compõe a sociedade, que culminam no seu desenvolvimento. É pecado afirmar que o contexto atual tem suas origens a dois ou três anos atrás. Ele é resultado de décadas de má gestão pública, não só no âmbito da segurança, mas sobretudo na educação, infra estrutura das comunidades, do desemprego e da economia.
Pode parecer vago,mas objetivo é mostrar como a omissão do estado e de suas públicas públicas, abrem as brechas para que o crime organizado e suas ramificações sejam perpetuados.
Todos sabemos da precariedade das escolas e do ensino público brasileiro, bem como a evasão escolar de muitas jovens, que passam a trabalhar cedo (não porque querem), mas porque devem! Não estou falando de situações em que os pais obrigam os filhos a trabalhar (o que é bem mais perigoso), mas estou falando de quando estes jovens, na busca por condições melhores de vida e por medo da fome, abdicam de um estudo de péssima qualidade, para correr atrás do sustento de suas famílias. É fácil criticar àqueles que não frequentam as escolas, difícil é estar na mesma situação deles e tomar decisões sempre corretas. Entenda leitor, que não escrevo com o objetivo de oferecer uma justificativa ou apoio a tais ações, pelo contrário.Tento elucidar as influências de tais jovens e compreender os motivos que os levam a tomar estas decisões. Mais adiante no texto, algumas ações preventivas de longo prazo lhe farão compreender melhor o que explico.
Há quem diga, que o desemprego não apresenta influências diretas à criminalidade, já que é muito comum pessoas de baixa renda migrarem para o mercado informal, com a venda de produtos feitos por eles mesmos, ou produtos pirateados ou os que ficam a mercê da boa vontade dos outros, ao pedir esmolas. É claro que temos pessoas criativas e determinadas que não deixam ás más circunstâncias afetar sua garra e sobretudo, sua honestidade. Entretanto, as pessoas são diferentes e nem todas têm moral suficiente para manter dignidade. Quando a fome aperta e as situações se tornam difíceis, nem toda as pessoas têm o bom senso de fazer o certo, enquanto que o errado oferece um retorno desejado mais rápido. Trabalhar oito horas por dia, durante cinco/seis na semana durante quatro semanas para ganhar um salário mínimo, ou vender drogas durante uma semana e ganhar o triplo disso? Não se assuste, a ambição e a facilidade do retorno pesam mais que um caráter intacto. Traficantes e muitos políticos conhecem isso.
Você pode dizer "quem quer faz, e não arruma desculpa". Você está 100% certo. Infelizmente nem todos pensam, ou agem dessa forma. Se as pessoas até hoje não jogam o lixo no lixo, por que esperaria que elas não optassem por um caminho fácil para conseguir dinheiro? São situações diferentes, mas elas mostram nossa divergência quanto ao pensar e agir. Sabemos o que é certo e errado, mas nem sempre tomamos a decisão correta, ainda que ela traga as piores consequências.
O que deveria ser feito para que essa situação mudasse? Entenda que não levaria meses, ou um ano para que haja mudança, o que não quer dizer que ela demoraria décadas. Dependeria basicamente do nível das ações do Estado. Políticas de curto prazo, como seu nome diz, afeta ações momentâneas e traz consequências rápidas. É necessário que seja implementado um conjunto de ações de base, para que as estruturas que depois dela cresçam, estejam sobre um pilar forte.
Uma delas é um ambiente econômico estimulante ao desenvolvimento. O estado precisa ser capaz de atrair grandes investimentos e não de efetuar ferrenho controle à economia, ampliando o seu parque industrial, aumentado o seu nível de produção, que apesar da adotação de alto nível de tecnologia,não significaria necessariamente, baixo nível de emprego. Com a atração de grandes indústrias, é preciso mão de obra para construí-las, opera-las, geri-las, transportar as mercadorias dentro e fora da nação e demais investimentos na área de infra-estrutura das cidades e rodovias, criando novos centros de negócios ou aperfeiçoando-os, aliado ao conjunto de mais empresas na área de serviços prestando auxílio, captando ainda mais trabalhadores. Criando assim, novas oportunidades para que as pessoas utilizem suas capacidade e habilidades, se sintam úteis e percebam que o clichê "o crime não compensa" seja verdadeiro. Precisamos criar condições para que as pessoas se desenvolvam, e não empecilhos burocráticos que retardam o que tentam construir.
Para um desenvolvimento econômico,a educação é a base para a inovação, ao gerar novos conhecimentos, desenvolver novas técnicas e novas descobertas que aumentem o nível de competitividade do país a nível internacional, que por sua vez, implicam em novos investimentos. Outro fator importante, que é pouco discutido, é a capacidade da escola de gerar novos cidadãos. Hoje, a educação é voltada para para aprovação no vestibular. Disciplinas como cidadania e ética, pouco tem espaço no ambiente educacional. Não devemos esquecer da importância de educar as crianças e os jovens para respeitar o próximo, sem impor condições a isso. Formemos cidadãos e não somente pré vestibulandos. Deixem que os jovens pensem e ajam. É preciso maturidade para se viver em sociedade e aprender a viver com consequências das ações de cada um, não esquecendo da habilidade em escolher nossos representantes. Discursos de ódios, segregacionistas, populistas e idealistas devem ser abolidos.
Vamos pensar no que queremos e precisamos quanto sociedade. Deixar que nosso ego, ou opinião seja mais importante que o outro, não significa polarizar em certo e errado. O diálogo, por mais que tenha ficado em segundo plano atualmente, continua sendo crucial na elaboração de novas políticas e visões. Deixemos de lado a ideia de que o outro cria problemas, para iniciarmos uma época em que as opiniões divergentes sejam capazes, de juntas, criar soluções.
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